terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"Crônica de UMAS VIDAS" - José da Silva (Parte I)

A vontade era de gritar... Há tempos as coisa não caminhavam bem, mas ele prosseguia. Seus pensamentos e sonhos pareciam distantes, vagava em sua própria vida. Suas forças sempre foram poucas, era raquítico no querer... e algumas vezes já havia sucumbido no tentar. Um, dois, três.... o tempo caminhando: o som que ecoa para o passado, o olfato perdido e a visão turfa pela distância do tempo.
José da Silva, o legítimo ser humano, sim! Não era uma fera, ou qualquer outro bicho. Simplesmente um rapazote franzino, sem perspectiva, daqueles que nunca soube sonhar. Outro dia, percebeu a sua falta de talento para qualquer coisa. Sim! Falta de dom, de chamado, de vocação.... Nunca fez nada que fosse "sobrenatural". Era do tipo domesticável, disciplinável. Mas também não tinha dom para pensar; logo passava sua "crise".
O interessante de observar o "da Silva" era sua capacidade de adaptação. Talvez este fosse seu grande trunfo. Nem mesmo o sofrimento seria capaz de mudá-lo. Ao fim sempre se adaptaria a qualquer rotina. E se um dia esta o faltasse.... surtaria! Homem  de muitas palavras, mas também de um silêncio sombrio e gélido. Aprendeu a ser feliz sozinho, no máximo escutaria os conselhos de algum livro ou cd.
Zé sabia ser ríspido, ser alegre, ser agradável ou ser intragável! Ele sabia ser! Um mutante da sobrevivência, realmente, adaptar-se era sua vida. Era o inconstante mais constante da sua terra. Fora criado assim, uma hipérbole da oposição.
Quanto aos seus atributos físicos? Ah, era todo médio, inclusive nas regiões holandesas. Sua beleza era quase exótica, um rascunho de um homem qualquer. Exceto pelo queixo prolongado e a postura desconjuntada. Já havia feito aulas com o patinho feio, mas o professor desistiu da tarefa de ensinar-lhe os modos. José tinha um outro grave tormento, não era dado a inteligência. Para disfarçar a ausência de habilidade pra pensar dissimulava-se. Burramente era sábio. Esse é José da Silva.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei o texto, e talvez tenha visto uma ou outra coisa ali que me rementem a muitas coisas...